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Eu e ele usamos a máscara do amigo
E no palco nos encontramos
É um esforço para interpretar..
Papéis tão difíceis
Somente trocar mil sorrisos nas horas platônicas...
E de vez em quando permitir
que nossos braços sejam como relâmpagos...
Vestimos nuvens carregadas
que não podem chover...
Tecemos o absurdo
de sermos misteriosos
mas somos tão óbvios
Fingimos ser estéreis
um para o outro...
na arte de amar
só nos resta a compaixão...
Brincamos de coadjuvantes
E o proibido colore o céu nosso de cada dia..
Uma rotina de hybris que não pode ser violada...
Mas eu queria subverter a ordem e virar uma palhaça
fazer com ele riso na praça...
Chamá-lo para o picadeiro...
me entregar por inteiro..
me doar como um rio que o abraça
ser para ele a própria sorte, o norte e a morte...
Somente sou vítima de um dardo...
e com isso nas noites enluaradas ardo...
e choro com meu fardo..
De não poder ser ...
Mais do que sou...
para este amigo que o destino me laçou...