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Eu estou caminhando...
e a cada passo...tento seguir olhando pra frente e pro chão...
só que às vezes não dá...
meu salto esbarra num buraco..prende...e eu fico ali
teimando...porque quero manter o sapato intacto...
não consigo...e ele quebra...
fico arrasada com meu apego...
mas afinal tem conserto... é só levar no sapateiro...
é, mas e o orgulho...eu tinha um sapato novo...
agora ele será reformado...
E daí ? Quem mandou ficar olhando só pra cima...
e daí....,eu não posso empinar o nariz ? Não posso ser o que sou ?
E o que sou ? E quem sou ?
Alguém que prende o sapato no buraco...
Dá vontade de tirar o sapato.. e sair descalça..
deixar o sapato lá... porque é como se ele pedisse pra ficar...
você não precisa ficar com ele... deixo-o ir...
tire os dois...
se despir do sapato...se desfazer do sapato....
as vezes a gente ganha quando a gente perde...
colocar o pé no chão e seguir em frente... sentindo a areia, o asfalto..
mesmo que o pé fique sujo..
mesmo que se entre na lama...
o que valeu foi que você se deu conta...o sapato se prendeu no buraco...
ele fez isso para que você se desse conta...
olhar por onde pisa...alerta...
idéias, coisas, pensamentos... podem muito bem ficar trás... na sua trajetória...
Saltos finos e muito altos... quedas...esborrachantes...
Não tenha pena... não sinta pena.. do sapato... que ficou perdido...

Tô me sentindo vermelha,
saboreando a paixão inteira,
ardendo com este presente...
sol pulsando...contente
vibrando vibrando vibrando
com o novo colorido...
sempre como se fosse uma primeira vez...
é como voltar a ser uma criança...
que nunca desenhou...
e vê na folha na branco
mil cores de possibilidade...
só pode ser ele.. ele .. ele ...
meu espelho... ele veio outra vez...
me fazendo querer abençoar o passado
de amores que partiram....
e escancarar meus portais...mais absolutos...
para o que vem ao meu encontro....
gestando com ele o futuro...
mil encontros.. que podem acontecer...
enquanto isso... acontece... é Agora...
com coragem... com ímpeto...
como uma catapulta.... como um mergulho...no rio...
ele veio... na forma de promessa... e visto a minha pele
com Erato... e ele ganha a forma de Eros....
e seguimos nas lúdicas horas intermináveis...
quem disse que pensamos no que foi.. ou no que será?
não tem espaço...tudo flutua... tudo paira como purpurina no ar...
na noite, na tarde, na manhã...frações.. que não percebemos..
lençóis que nos envolvemos...
cobertos das nossas....
felizes lágrimas que afloram no êxtase de nossas almas...

Eu e ele usamos a máscara do amigo
E no palco nos encontramos
É um esforço para interpretar..
Papéis tão difíceis
Somente trocar mil sorrisos nas horas platônicas...
E de vez em quando permitir
que nossos braços sejam como relâmpagos...
Vestimos nuvens carregadas
que não podem chover...
Tecemos o absurdo
de sermos misteriosos
mas somos tão óbvios
Fingimos ser estéreis
um para o outro...
na arte de amar
só nos resta a compaixão...
Brincamos de coadjuvantes
E o proibido colore o céu nosso de cada dia..
Uma rotina de hybris que não pode ser violada...
Mas eu queria subverter a ordem e virar uma palhaça
fazer com ele riso na praça...
Chamá-lo para o picadeiro...
me entregar por inteiro..
me doar como um rio que o abraça
ser para ele a própria sorte, o norte e a morte...
Somente sou vítima de um dardo...
e com isso nas noites enluaradas ardo...
e choro com meu fardo..
De não poder ser ...
Mais do que sou...
para este amigo que o destino me laçou...

Caminhar na vida
é o ato solitário...diário..sem muito dicionário...
Não adianta querer impor tempo
cada passada tem seu momento...
cada pessoa o seu alento...
Alguns ficam por horas, outros por dias, anos ... décadas...
Poucos talvez permaneçam a vida toda...
Ninguém pode imaginar...
Deus simplesmente gera a situação...
e será o que tiver que ser ...
Um dia Sérgio passou pela mesma esquina...
deu um encontrão ... e se sentiu topando em uma pedra...
lá se foram anos de prova...mas não era porque ele era Sérgio..
era porque naquele momento a vida exigiu um aprendizado..
e no improviso Deus o encaminhou em uma direção...
Tá certo que o Sérgio pediu.. antes de se "egotizar"*...pediu
pela prova dura e penosa.. de encontrar com a Andrea...
e ela não teve outra chance senão a de se apaixonar...
era o momento...alguém que iria rasgar seu coração
em um milhão de pequenos pedaços...que iriam flutuar
como confete no último dia do ano.. Andrea depois de Sérgio...
se espalhou....como fênix que entra em combustão espontânea...
o preço pode ter sido alto, mas ela viu como benção...
Depois de tanta revisão...seu ego virou massa fina...
vai entender .. não há como... ela teve que passar por isso...
se hoje está bem... foi porque aquela história de 10 anos atrás...
a forjou como ninguém...Se ela se sustenta sobre suas visceras...
é porque descobriu ser capaz de se entregar....não existe perdão para o ego.... só o espírito é livre...só ele pode perder de vista...
Em outra história, outra memória, outra forma de transcender...
Quanta lucidez se inaugura...depois da intrepidez de quem se arrisca
viver... ser carne e osso...sem temer a dor no dorso...de cada acontecer...
Não existe culpa , pois esta é fruto da total irresponsabilidade humana...existe auto-consciência...mas esta é do espírito..

Ela tem a mania de usar a baunilha para colorir o céu
e o faz em seus pequenos desenhos mentais
uma crença no hoje de cada momento..
e quase sempre o açaí faz as vezes do seu batom
uma boca lotada de coração...
Ela não está sozinha em suas andanças ..
a companhia diária do astro-rei
está a dourar o olhar com ímpeto da esperança
Ela se atira destemida na ventura da vida...
adotando um novo nome a cada prova
recebe os fogos de artíficio e os arrepios ... sem perder o riso
a dor passa de fininho e entra por suas portas
ela corre e as abre...mais ainda
venha, venha é por aqui..
no fundo sabe que ...
é só uma visitinha..não veio para ficar...
A menina brinca de conjugar verbos
não acredita em ser salva do dragão...
quer todo o perigo que puder...
quer a corda bamba e todo o circo armado
quer estar no palco da vida... encarnando o seu personagem
mas sem perder a inocência e liberdade
ela repete incansavelmente o mantra...
tudo é como é .. e está em seu devido lugar
quem chega e quem vai ...fica até quando puder...
até a lição ser aprendida...
o arbítrio é do espírito..
e sofrer é uma escolha... na escola...
A menina se torna auto-consciente
E simplesmente vibra na luz e na treva...
A cisão é coisa da cabeça.... por isso ela une...
As cores todas em sua palheta....
Une todas as flores ...humanas flores em seu jardim...
Dália , Margarida, Rosa, Girassol....Papoula, Tulipa...e tantas outras
Reúne em uma mesa o africano, o asiático, o brasileiro, o russo, o americano, o iraniano, o judeu, o anglicano , o católico e tantos outros e tantas outras personagens.... são apenas vestes...
Une todos para celebrar o banquete da vida...
debaixo do mesmo céu de baunilha...